Construção Civil diz que 2020 será o ano da virada, entenda.

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O ano de 2020 será o ano da virada do mercado imobiliário. Isso é o que defendeu o vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Renato Michel, durante apresentação, realizada ontem, do balanço do setor em 2019.

Os dados evidenciados pela entidade reforçam a declaração de Renato Michel, destacando como o setor vem se recuperando ao longo do ano. No terceiro trimestre, por exemplo, o segmento apresentou alta de 4,4% no País em comparação a igual período de 2018 – a última vez que o setor havia mostrado incremento tinha sido em 2013.

LOCAÇÃO

Foi em 2013 também a última vez que se havia visto a construção civil com um crescimento superior ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Até agora. A economista e assessora econômica do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos, ressaltou que neste ano o setor deverá crescer mais do que a economia nacional, com alta de 2% do seu PIB, contra 1% do PIB brasileiro.

Além disso, nos nove primeiros meses do ano, o segmento apresentou crescimento de 1,7% no País, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Em Minas Gerais, esse cenário mais positivo também pode ser verificado. Embora de 2014 a 2018, a construção civil mineira tenha apresentado uma retração de 29,4% em seu PIB, este ano já mostra números mais animadores. No primeiro semestre, por exemplo, a construção mineira teve uma expansão de 2% na comparação com o primeiro semestre de 2018.

Conforme salienta Ieda Vasconcelos, a construção civil acompanha bastante o crescimento e as quedas da economia. E o cenário atual da economia nacional vem dando sinais positivos. Ela lembra, por exemplo, “a inflação sob controle, a redução da taxa básica de juros e o fortalecimento do mercado de trabalho” como alguns dos fatores importantes nesse cenário.

Empregos – Sobre o mercado de trabalho, os números de trabalhadores formais na construção civil também evidenciam como o setor vem se fortalecendo. Em outubro, houve crescimento de 6,84% na quantidade de trabalhadores com carteira assinada no segmento em Minas Gerais, somando 276.338.

A alta também foi verificada na capital mineira em outubro, de 11,15%, em relação ao mesmo período do ano passado, somando 107.799 trabalhadores com carteira assinada.

“O Estado de Minas Gerais foi o que mais gerou vagas com carteira assinada na construção civil de janeiro a outubro deste ano, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), somando 29.911 trabalhadores”, ressaltou Ieda Vasconcelos. O segundo lugar ficou com São Paulo, com 26.548 vagas geradas.

Semelhante avanço se vê em Belo Horizonte. No mesmo período, a capital mineira gerou 15.472 vagas de trabalho, “praticamente o dobro de São Paulo, com 8.523”, lembrou Renato Michel.

VENDA DE IMÓVEIS EM BH E NOVA LIMA AINDA É MENOR

Segundo o Censo Imobiliário de Belo Horizonte e Nova Lima, nos primeiros dez meses deste ano 2.617 unidades residenciais foram comercializadas, redução de 12,85% na comparação com o mesmo período de 2018. Destas, 36%, ou seja, 943 unidades pertencem ao padrão econômico (até R$ 215 mil).

A economista do Sinduscon-MG, Ieda Vasconcelos, ressaltou que um dos fatores que contribuíram para esse cenário foi a redução de 16,18% nos lançamentos. Enquanto de janeiro a outubro de 2018 foram lançados 2.905 apartamentos, no mesmo período deste ano o número caiu para 2.435, sendo que, deste total, “47% aconteceram em setembro e outubro”, diz Ieda.

As vendas foram maiores do que os lançamentos, reduzindo os estoques. Em outubro deste ano, havia 3.959 apartamentos novos para comercialização, enquanto no mesmo mês de 2018 eram 4.754. A queda, portanto, foi de 16,72%.

Já o Valor Global de Lançamentos (VGL) alcançou R$ 1,215 bilhão nos três primeiros trimestres deste ano, redução de 27,94% em comparação a igual período de 2018. No entanto, como o quarto trimestre teve maior número de lançamentos, essa queda poderá ser reduzida.

Diante desse cenário de menor oferta, o preço médio de apartamentos novos na capital mineira e em Nova Lima aumentou 7,67% de janeiro a outubro deste ano. O IPCA/IBGE variou 2,60%. Portanto, o preço de apartamentos teve alta real de 4,94% nos primeiros dez meses deste ano.

Belo Horizonte, particularmente, teve queda de 16,78% nas vendas de apartamentos, que caíram de 2.896 unidades de janeiro a outubro de 2018 para 2.410 no mesmo período deste ano.

Já a redução dos lançamentos verificada foi de 21,71%, passando de 2.755 apartamentos nos primeiros dez meses do ano passado para 2.157 unidades em igual período de 2019.

Nesse contexto do mercado imobiliário belo-horizontino, o presidente do Sinduscon-MG, Geraldo Jardim, ressaltou que a aprovação do Plano Diretor pode fazer com que o mercado se torne mais restritivo. “Continuamos preocupados com Belo Horizonte em relação ao Plano Diretor”, disse ele, destacando fatores como a outorga onerosa e reflexos em investimentos.

O vice-presidente do Sinduscon-MG também ressaltou que o Plano Diretor poderá direcionar lançamentos para outros municípios que compõem a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o que, pontuou, pode afetar a economia da capital mineira como um todo, já que as pessoas que se mudam para esses locais também consomem por lá.

ICEICOM-MG APRESENTA ALTA EM NOVEMBRO

Apesar de ainda existirem desafios a serem superados, o setor tem se mostrado confiante. O presidente do Sinduscon-MG, Geraldo Jardim, destacou que 2019 foi melhor do que 2018 e que as expectativas são boas para 2020.

O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicom-MG) também revela boas expectativas. O número apresentou incremento de 1,8 ponto em novembro em relação a outubro, passando de 57,4 pontos para 59,2 pontos, mostrando, pelo sétimo mês consecutivo, que os empresários estão confiantes. Trata-se do segundo nível mais elevado para novembro em nove anos.

Os empresários estão acreditando na melhora do nível de atividade (54,3 pontos), da compra de insumo e matérias-primas (54,1 pontos), de novos empreendimentos e serviços (52,5 pontos) e número de empregados (54,7 pontos).

A intenção de investimentos, por sua vez, atingiu os 46,4 pontos e “sinaliza positivamente para o próximo ano”, destacou Ieda Vasconcelos. Houve aumento nesse indicador pelo terceiro mês consecutivo e as intenções foram as mais altas para novembro desde o começo da série história em 2013.

Via: diariodocomercio